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WEC 2017 - SEGUNDO A OPINIÃO DE JOÃO CARLOS COSTA - COMENTADOR EUROSPORT

Segunda, 20 Novembro 2017 16:11 | Actualizado em Quinta, 14 Dezembro 2017 16:42

  1. Meia centena e acabou. Ninguém gosta de parar a meio da refeição, sobretudo quando o prato está a ser saboroso de degustar. 50 corridas de grande nível, por vezes excepcionais. Seis anos que trouxeram o Mundial de Resistência para um patamar de interesse que só teve par nos anos 60 do século passado. Assistimos à verdadeira “Guerra das Estrelas”. Tivemos direito a ver competir veículos de "outro mundo", verdadeiras complicações de relojoaria da mecânica automóvel, quase robot...s transformados em carros de competição. Máquinas perto da perfeição que exigiram ases de primeira grandeza ao volante. Um todo que acabou por modificar para sempre o paradigma das provas de resistência.
    Vivemos ao ritmo de três grandes construtores que dividiram entre si títulos e vitórias: Porsche com 3 ceptros e 17 vitórias; Audi com 2 e igual número de triunfos; Toyota com 1 título e 16 vitórias.
    Durante meia dezena de anos ninguém percebeu que tudo isto custava uma fortuna. Nem isso tinha a mínima importância porque a fórmula era ganhadora. Queríamos todos mais corridas, carros ainda mais velozes, recordes a cair a cada ano. Sonhávamos com os 13,6 km da pista de Le Mans feitos em menos de 3m10s, ou até abaixo dos 180 segundos. Nada parecia impossível. Estávamos abertos a ver os megajules crescer, a que os sistemas híbridos proliferassem em número e complexidade. Nem percebemos que o falhanço Nissan era, de facto, um sinal de alarme. Achámos que fora apenas um “erro de casting” de uma marca. Acreditávamos que mais construtores apostariam na via do WEC e foram vários a estudar projectos. Só que nunca passaram do papel para o asfalto. Não só não chegaram, como entrou “areia na engrenagem”. Um “gaz poluente” esfumou quase tudo o que a FIA e o ACO tinham construído. A saída da Audi no final de 2016 fez soar as campainhas. Quando a Porsche anunciou ser esta a sua última temporada, percebemos que a fortaleza podia ser tomada de assalto... pela desilusão.
    Após seis anos, quatro dos quais com o incrível, mas complexo, regulamento híbrido, as 6 Horas do Bahrain tiveram sabor a fim de ciclo. O que se construiu desde Sebring 2012 fica na história. Vivemo-lo, adorámo-lo, mas como em muitas coisas na vida, é hora de guardar na memória os bons momentos e seguir em frente. Todos os que gostamos de corridas de Endurance devemos acreditar na valia do que aí vem. Pode parecer pouco face ao que vivemos. Mas as duas super-temporadas de transição terão muito para ver, para viver, para contar, para comentar. A 5 de Maio de 2018, com as 6 Horas de Spa, abre-se um novo ciclo, que devemos abraçar com expectativa. O maior erro será meter a cabeça na areia, sonhar com o que não volta. Não se vive de mágoa. Vive-se da perspectiva de conquista. Como escreveu o poeta: o Mundo pula e avança!

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